Síndrome Cervicobraquial

Por: Dr. José Fábio Lana

A síndrome cervicobraquial é um termo que descreve de forma inespecífica alguma combinação de dor, dormência, fraqueza e inchaço na região do pescoço ombro e braços.

A palavra "síndrome" significa um conjunto de sintomas comumente vistos juntos, mas para o qual não há explicação conhecida. É uma doença do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, é funcional ou orgânica, resultante da fadiga neuromuscular. Pode ser conseqüência de uma posição fixa ou de movimentos repetitivos dos membros superiores.

A "síndrome cervicobraquial" deve designar uma coleção de sintomas compreendidos na região do pescoço e do braço, para os quais pode ou não haver uma causa conhecida.

Imagem meramente ilustrativa


Pode se originar de causas não ocupacionais:

Mecânico-degenerativas: osteoartrose, protusões do disco intervertebral, degeneração dos ligamentos.

Inflamatórias: artrite reumatóide, espondilite anquilosante, síndrome de Reiter, espondilodiscite, artrite reumatóide juvenil.

Tumorais: primárias ou metastáticas.

Psicossomáticas e as causas fora da coluna cervical: artrose acrômio-clavicular, distúrbio da articulação têmporo-mandibular, doenças vesico-biliares, câncer broncogênico, fibromialgia, coronariopatias e hérnia de hiato.


Pode se originar de causas ocupacionais:

Casualmente, a síndrome cervicobraquial, pode estar associada a atividades que envolvam contratura estática ou imobilização por tempo prolongado de segmentos corporais como cabeça, pescoço ou ombros. Tensão crônica, esforços excessivos, elevação e abdução de braços acima da altura dos ombros, empregando força, e vibrações de corpo inteiro, também podem causar a síndrome.


Quadro Clínico e Diagnóstico: O diagnóstico da síndrome cervicobraquial é dividido em 5 graus, que compreendem os seguintes sinais e sintomas:

GRAU 1 - queixas subjetivas, sem sinais clínicos.

GRAU 2 - queixas acompanhadas de endurecimento e hipersensibilidade dolorosa do pescoço, do ombro e do braço, perda de força muscular, hipertrofia dos músculos afetados.

GRAU 3 - pode surgir tremor das mãos, dor à movimentação do pescoço, ombro e extremidade superior; distúrbios funcionais da circulação periférica; dor intensa do pescoço, ombro e extremidade superior.

GRAU 4 - quadro intenso do grau III e aqueles que evoluem diretamente do grau II para um quadro de síndrome pescoço-ombro-mão, distúrbios orgânicos como tenossinovite ou tendinite, ou para alterações do sistema nervoso autônomo, como na síndrome de Raynaud; hiperemia passiva ou perda de equilíbrio ou, ainda, que apresentam distúrbios psíquicos com ansiedade, insônia, alterações da ideação, histeria ou depressão.

GRAU 5 - pacientes que apresentam distúrbios não apenas no trabalho, mas que interferem no cotidiano.

Imagens radiográficas também devem ser utilizadas para excluir lesões de origens ósseas. Se uma condição patológica for documentada o diagnóstico de síndrome cervicobraquial deve ser excluído.

O tratamento varia de paciente para paciente, mas geralmente consiste em analgésicos, AINES, colar cervical, aplicação de gelo ou calor e fisioterapia. Após o quadro dor, podem ser recomendados exercícios para fortalecer a musculatura da região afetada. É imprescindível que o diagnóstico seja feito por um profissional qualificado, pois essa síndrome pode ser facilmente confundida com outras patologias cervicais e lesões por esforço repetitivo.


Dr. José Fabio Lana
Referências:
Cheikhrouhou Abdelmoula L, Daoud L, Ben Hadj Yahia C, Tekaya R, Chaabouni L, Zouari R. [Uncommon cervicobrachial neuralgia: about 17 cases]. Tunis Med. 2011 Jul;89(7):598-603

Isabel de-la-Llave-Rincón A, Puentedura EJ, Fernández-de-Las-Peñas C. Clinical presentation and manual therapy for upper quadrant musculoskeletal conditions. J Man Manip Ther. 2011 Nov;19(4):201-11.