Esteróides Anabolizantes - Os perigos do uso indiscriminado


Por: Dr.José Fábio Lana


Devido às suas ações anabólicas, os esteroides anabolizantes (EAs) são usados por atletas para melhorar o desempenho físico, mas seu uso vem sendo crescente também entre indivíduos que praticam atividade física como forma de lazer, com o simples objetivo de melhorar a aparência física ou como forma de culto ao corpo.


Esteróides anabólico-androgênicos, ou esteróides anabolizantes, como são popularmente conhecidos, foram desenvolvidos na década de 1930 para promover o crescimento do músculo esquelético e desenvolver características sexuais masculinas.


Na Medicina, o uso de esteróides anabolizantes é indicado para o tratamento de puberdade atrasada, alguns tipos de impotência; perda de massa muscular devido a condições como o HIV, alguns tipos de anemia; osteoporose, desnutrição, para a coceira causada por uma condição do fígado chamada obstrução biliar primária e para algumas deficiências hormonais.


Imagem meramente ilustrativa


Os esteróides anabólicos são frequentemente associados à musculação e esportes e são usados nesse meio, pela sua capacidade de melhorar o desempenho, aumentar a massa muscular e diminuir a gordura corporal, entretanto, sua utilização depende do tipo de esporte realizado. Acredita-se que o uso de esteróides anabolizantes é generalizado na musculação competitiva. O uso de esteróides nos esportes é ilegal e atletas internacionais são testados para evitar vitórias com vantagem injusta. Os esteróides anabolizantes também são utilizados, especialmente pelos homens, no intuito de alterar a forma do corpo para uma aparência mais musculosa.


No uso ilegal deste grupo de drogas as dosagens são altamente variáveis e podem ser de 10 a 40 e por vezes, 100 vezes mais elevadas do que as doses terapêuticas recomendadas.


Os efeitos colaterais dos esteróides anabolizantes são sérios e não são incomuns. Alguns efeitos colaterais são reversíveis, mas alguns podem causar danos permanentes. Os esteróides anabolizantes reduzem a função excretora do fígado, o que pode levar ao desenvolvimento de doença cística e hemorragia que é potencialmente fatal. O uso de esteróides também tem sido associado ao câncer de fígado, embora isso seja muito raro.


Há evidências clínicas e estudos científicos, que indicam que essas drogas podem causar ou são sérios fatores de risco para danos no sistema cardiovascular, problemas com a pressão sanguínea e as lipoproteínas, tais como o colesterol. Há evidências científicas ainda de que os esteróides anabolizantes podem causar alterações estruturais no coração e que a doença cardíaca e acidentes vasculares cerebrais são possíveis, especialmente com tipos orais dessa droga.


Como os esteróides anabolizantes são fortemente associados a traços masculinos como a força e a massa muscular, pode ocorrer aumento da disfunção erétil e impotência, embora o desejo sexual aumente, ginecomastia (crescimento das mamas - uma condição que é geralmente irreversível e cirurgia plástica é necessária para correção), atrofia ou encolhimento dos testículos pode ocorrer e é relatado em geral com a utilização de doses elevadas.


Portanto pode-se concluir que os esteróides anabolizantes androgênicos consumidos sem necessidade e sem acompanhamento de um profissional adequado ou por fins terapêuticos, só tem a trazer efeitos colaterais e alterações fisiológicas irreversíveis no organismo levando a efeitos deletérios podendo até a chegar à morte. São verdadeiras drogas à saúde e proporcionam diversos malefícios aos sistemas corporais levando o individuo até a dependência química. Por isso pode-se afirmar que anabolizante é uma droga e que se consumido regularmente por longo período é fatal à saúde.


Referências:
Angell P, Chester N, Green D, Somauroo J, Whyte G, George K. Anabolic steroids and cardiovascular risk. Sports Med. 2012 Feb 1;42(2):119-34. Review


Maior AS, Carvalho AR, Marques-Neto SR, Menezes P, Soares PP, Nascimento JH. Cardiac autonomic dysfunction in anabolic steroid users. Scand J Med Sci Sports. 2012 Jan 18.


Dr.José Fábio Lana